
Hoje uma amiga minha me falou que o ideal de liberdade dela é andar na rua falando no celular em direção ao seu carro usando a saia roxa linda que ela tem e calçando uma bota e eu pensei: qual é meu ideal de liberdade?
Esse tempo todo eu estive obcecada pela faculdade, mudando de idéia de curso, chorando, entrando em depressão, ficando nervosa. Me imaginei o tempo todo na universidade, passando dias nos bares pra perder fins de semana estudando, correndo de um lado para o outro o dia todo para as aulas, indo a festas, namorando, trabalhando na faculdade mesmo... Mas eu só pensei nisso, na faculdade, não me vi depois dela. E percebi uma coisa estranha: só vou ser “gente grande” quando estiver formada.
E esse é meu ideal de liberdade: um curso superior, um emprego, um “apê”, um carrinho (mesmo que um fusca rosa) e uma vida tranqüila, mas, e até lá? Eu não deveria aproveitar meus tempos de “gente ainda não grande” (essa expressão ficou terrível) e fazer algumas loucuras?
Por exemplo: sempre quis pintar meu cabelo de rosa, depois de roxo, depois de azul e parar no vermelho. Mas que pai e mãe confiariam a educação dos filhos a uma pedagoga com essa aparência? Ou quem contrataria alguém assim? Eu adoraria dizer que esse tipo de preconceito não existe mais, que aparência atualmente não conta, mas estaria mentindo.
Eu acho que vou ter que usar esse tempo agora para fazer minhas loucuras antes de crescer, por que crescer é inevitável. Cada dia eu cresço um pouquinho mais, mas ainda tenho muita liberdade. E é essa a questão: crescer não significa ser livre. Crescer é se prender cada vez mais ao mundo dos adultos, ser cada vez mais escravo do trabalho, da família e da aparência. Eu não quero mais crescer, mas vou, contra minha vontade.
Então vou aproveitar agora, sair pra beber Smirnoff Ice com meu irmão, pintar o cabelo de roxo, furar um piercing, falar alto na rua... Coisas de “gente ainda não grande”. Digo gente ainda não grande por que também não é coisa de criança.
O texto ficou meio confuso, mas ficou espontâneo, acho que isso é bom.
Meu ideal de liberdade não existe, cada dia vou me prender mais a responsabilidade, tenho um ideal de vida e de como aproveita-la.
Enfim, quem ler, reflita sobre as coisas que você quer fazer antes de crescer.
Depois disserto melhor sobre perder a liberdade conforme o tempo passa.
Frase do dia:
Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
Clarice Lispector
Clarice Lispector