
- Image de Salvador Dalí.
O que é ser humano? É ser mais um animal que nasce, cresce, se reproduz e morre? Não. O ser humano pode ter seus instintos animais, mas o que o destaca é o descontentamento em só seguir somente o ciclo da vida. Ele quer mais: quer ser lembrado, venerado, idolatrado, estudado e amado. Quer ter poder, não para sobreviver de poder, só para ter, para subjugar, para ser maior, para não ser igual. É claro, nenhuma criatura é igual, mas a ambição do humano vai alem da aparência e do emocional.
Para chegar ao seu objetivo, muitos seres humanos fazem coisas absurdas: declaram guerras, matam milhões de pessoas, deixam milhões de pessoas morrerem... Soldados morrem por um homem que está protegido em uma cadeira confortável, famílias são despedaçadas, crianças morrem de fome e doenças. Mas para um ser humano sedento de poder, seu objetivo vale mais que algumas vidas.
Então ele se acha o forte, o mais poderoso de todos os animais. O animal que raciocina, não segue só os impulsos naturais. Se acha mais forte que a natureza.
Mas a natureza não aceita calada, ela revida. Desastres como os do Haiti são a prova de que o ser humano não é invencível, de que é frágil. Milhares de pessoas morrem todo ano de desastres naturais como tsunamis, terremotos, tornados, neve, chuva, vulcão e não por causa do objetivo ninguém. Morrem por morrer, ninguém ganha nada.
Agora me pergunto: será isso o que comove o ser humano? O fato de haverem mortes em vão? Que não vão dar poder e riqueza a ninguém, mas sim, tristeza e prejuízo? Talvez seja isso o que comova o mundo inteiro. Por que solidariedade pelo amor à vida humana não é.
Antes do terremoto no Haiti, muitos morriam de fome e doenças e não havia essa mobilização extrema para resolver a crise. Em outros lugares do mundo pessoas morrem por esses mesmos motivos e não se vê desespero e lamentação pelas crianças famintas.
É lógico, não posso generalizar, há quem ajude e quem sofre por isso. Mas manda quem tem dinheiro e quem tem dinheiro quer mais dinheiro e para conseguir dinheiro, uma vida a mais ou uma vida a menos não interessa. Afinal, são tantas pessoas que nascem todos os anos...
Eu não posso dizer o que motiva os poderosos a, nesse tipo de crise, aderir à causa de ajudar os que estão em prejuízo. Eu sei que eu sinto pena e solidariedade pelas vidas perdidas. Pois muitas dessas pessoas sofreram muito enquanto vivas e morreram em meio a sofrimento e pobreza. Mas também não posso dizer o que faria se tivesse poder para mudar alguma coisa. Não seria hipócrita e diria que o poder nunca vai subir a minha cabeça, se um dia eu o tiver.
Sou, parte da minoria. Não a minoria em quantidade, por que nesse caso pessoas como eu sou maioria, sou minoria em termos financeiros e fico aqui parada de mãos atadas, por não tenho poder nem para governar minha própria vida em liberdade. Só o que posso é sentir pena e escrever esse texto expondo meu ponto de vista. Talvez ele seja admirado e lembrado. Isso, por hora, me basta.
Pauta para o Blorkutando – 70ª semana.
